BLOG PARA DIVULGAÇÃO DA LITERATURA RUSSA AOS FALANTES DE LÍNGUA PORTUGUESA.

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Deus foi testar as pessoas no amor,
Foi à clareira[1], em pobre vestidura. 
Num toco do bosque sentado um senhor 
Com as gengivas roía uma côdea dura.

O vovô viu o mendigo no caminho, 
Na vereda, com um férreo cajado, 
E pensou: “Veja só, o coitadinho, 
Chega a cambalear de fome, adoentado”.

Deus chegou perto, ocultando dor e aflição: 
Seus corações, vê-se, não há quem acorde... 
E disse o velhinho, estendendo-lhe a mão: 
“Tó... pra ficar um pouquinho mais forte.”

1914

Serguei Iessiênin









Шел Господь пытать людей в любови,
Выходил Он нищим на кулижку.
Старый дед на пне сухом в дуброве,
Жамкал деснами зачерствелую пышку.

Увидал дед нищего дорогой,
На тропинке, с клюшкою железной,
И подумал: "Вишь, какой убогой, -
Знать, от голода качается, болезный".

Подошел Господь, скрывая скорбь и муку:
Видно, мол, сердца их не разбудишь...
И сказал старик, протягивая руку:
"На, пожуй... маленько крепче будешь".

1914

Сергей Есенин




[1] Nesse poema, Iessiênin faz um jogo de palavras. Kulijka significa “clareira”, mas Kulijki é o nome de um bairro de Moscou, famoso pela quantidade das igrejas. Foi lá onde Deus desceu para testar as pessoas. Dubrova, que significa “bosque”, onde está o velho, também é o nome de um bairro de Moscou, vizinho de Kulijki. Ou seja, o poeta dá a entender que Deus desceu em uma cidade grande, que, em sua vida agitada, não lhe deu nenhuma atenção, e Ele só encontrou compaixão em um velho pobre à beira do caminho. Agradecimentos a meu amigo Igor Kryutchkov pela explicação da referência.

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