BLOG PARA DIVULGAÇÃO DA LITERATURA RUSSA AOS FALANTES DE LÍNGUA PORTUGUESA.

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MAKSIM GÓRKI, cujo nome verdadeiro era Aleksei Maksímovich Peshkov, foi um escritor russo naturalista, comunista e precursor do realismo soviético. De origem pobre, tendo ficado órfão cedo, desde a adolescência foi obrigado a ganhar os próprios meios de vida. Passou por inúmeras profissões diferentes – sapateiro, desenhista, lavador de pratos, vigia, pescador, vendedor de frutas – nunca conseguindo o bastante para se manter com dignidade, o que o levou ao desespero e a uma tentativa de suicídio aos 19 anos. Sobreviveu, porém, e, com o pulmão atingido pela bala fragilizado, contraiu tuberculose.

Leituras de Marx, complementando o que Górki havia experimentado na prática sobre as dificuldades da vida do trabalhador, converteram-no em comunista. Ele começou a se publicar na década de 1890, e adotou o pseudônimo Górki (Горький, “amargo” em russo) para evitar a perseguição da polícia tsarista, uma vez que as obras tinham conteúdo social e o ele mesmo estava envolvido em atividades subversivas.

Tomou parte na revolução de 1905 e foi preso. Liberto após pressão de outros intelectuais e da comunidade internacional, fundou o jornal de orientação socialdemocrata “Nova Vida” (Новая жизнь), para publicar tanto conteúdo político, quanto literatura da estética que aprovava. No entanto, teve que largar o projeto, ao ser obrigado a abandonar a Rússia. Passou pelos EUA e pela Itália nas décadas de 1900-1910, retornando à Rússia em 1914, após o início da Primeira Guerra Mundial. Fez amizade com Lenin. 

Após a Revolução, suas obras passaram a ser extremamente valorizadas, foi fundado um instituto literário com seu nome, em 1933, e sua cidade natal, Níjni Novgorod, foi renomeada de Górki (em 1991, após a queda da URSS, voltou a se chamar Níjni Novgorod). O próprio Górki, porém, não pode permanecer na Rússia após a Revolução, mudando-se para a Itália em busca de um clima melhor, para sarar os pulmões. Voltou à URSS em 1928, mesmo não estando curado. Acabou morrendo de pneumonia em 1936.

A obra de Górki deu origem ao que se chama de literatura proletária. Entre peças, como “Pequenos Burgueses”, e romances autobiográficos, comoGanhando meu pãoe “A mãe”, os temas constantes de Górki são os sofrimentos do proletariado. muito de autobiográfico na obra dele em geral. Ao mesmo tempo, ele também foi um dos críticos que fomentou o estabelecimento do padrão estético socialista não na literatura, mas na arte em geral. Por exemplo, Górki escreveu um artigo intituladoSobre a música dos gordos” no jornal Pravda em 18 de abril 1928, criticando duramente o estilo de origem norte-americana, e chamando-o de “ofensivo caos de sons raivososque perturbavam a noite e o descanso do trabalhador.

Aqui no blog, você pode ler o poema fada (A Lenda de Marco), traduzido por Leque Lupiná.
  
Você também pode comprar os livros de Górki nos sebos ou livrarias vinculados à Estante Virtual. Das obras de Górki, foram publicados em português:

ISOLADAMENTE:

Os romances:

1. A mãe (Мать, 1906; segunda versão em 1907). Traduções:

a.       Americana, 1931, Collecção de Obras Celebres, trad. revista por Renato Travassos
b.      Marisa, 1931, trad. desconhecido.
c.       Calvino, 1932, trad. desconhecido.
d.      Civilização Brasileira, 1935, trad. desconhecido.
e.       Pongetti, 1944, trad. indireta de Araújo Neves. (Reed. por Edições de Ouro, 1980, na Coleção Universidade; Ediouro, 2010; Nova Fronteira, 2019).
f.        Vitória, 1944, trad. desconhecido.
g.      Pallas S. A., 1960, trad. direta de Shura Victoronovna (Reed. por Record, 1969 e Circulo do Livro, 1984).
h.      O Oiro do Dia/ Porto, 1970, trad. Egito Gonçalves.
i.        Europa-América, 1973, trad. desconhecido.
j.        Abril Cultural, 1979. Trad. de Fernando Peixoto e José Celso Martínez Correa e Shura Victoronovna. Em edições conjuntas com "Pequenos burgueses". Reed. em 1982.
k.      Abril Cultural, 1997. Em edição conjunta com “Pequenos burgueses”. Trad. de Jorio Dauster.
l.        Ráduga, 1987, trad. José Augusto.
m.    Expressão Popular, 2005, trad. desconhecido.

2. O espião ou A vida de um homem inútil (Жизнь ненужного человека). Traduções:

a.       Marisa, 1931, trad. revista por Bandeira Duarte.
b.      Civilização Brasileira, 1934, trad. desconhecido.
c.       Vitória, 1944, trad. desconhecido.

3. Os Artamonov (Дело Артамоновых, 1925). Traduções:

a.       Vecchi, 1945, coleção Os Grandes Nomes, trad. direta por Boris Solomonov (Schnaiderman) e Galvão de Queiroz.

4. A infância de Klim Sanguine (Жизнь Клима Самгина, 1925-36). Traduções:

a.       Athena, 1937, trad. Lúcio do Nascimento Rangel.

As novelas:

1. Uma confissão (Исповедь, 1908).
a.       Waissman Reis & Cia, 1931, Collecção de Obras Celebres, trad. desconhecido.
b.      Calvino, 1932, trad. desconhecido.

2. Infância ou A minha infância (Детство, 1913-14). Traduções:
a.       Minha Livraria, 1934, trad. desconhecido.
b.      Cosac Naify, 2007-2008, trad. direta de Rubens Figueiredo. (Reed. pela Abril, 2010, Clássicos Abril Coleções #32).

3. Ganhando meu pão (В людях, 1915-16)
a.       Vecchi, 1942, trad. Abelardo Romero (subtítulo Memórias autobiográficas).
b.      Cosac Naify, 2007, trad. direta de Boris Schnaiderman.

4. Minhas universidades (Мои университеты, 1923).
a.       Cosac Naify, 2007, trad. direta de Rubens Figueiredo[1].

As peças teatrais:

1. Pequeno-burgueses ou Pequenos burgueses (Мещане, 1901).
a.       Abril, 1976, trad. de Fernando Peixoto e José Celso Martínez Correa e Shura Victoronovna[2]. Reed. (Em edições conjuntas com "Mãe" em 1979, 1982. Reed. isoladamente pela Ediouro, 1988).
b.      Livraria Sá da Costa Editora, 1978, trad. desconhecido.
c.       Abril Cultural, 1997. Em edição conjunta com “Mãe”. Trad. de Jorio Dauster.
d.      FTD, 2007, ADAPTAÇÃO de Luiz Maria Veiga.
e.       Hedra, 2010, coleção Hedra de Bolso, trad. direta de Lucas Simone.

2. Ralé (На дне, 1902).
a.       Editora Veredas, 2007, trad. Gabor Aranyi

3. Os inimigos (Враги, 1906).
a.       L&PM, 1997, tradução de Fernando Peixoto e José Celso M. Correa.


E o conto Varenka Olessova (Варенька Олесова, 1898), publicado pelo Clube do Livro, 1949, trad. anônima, além das seguintes obras — entre contos, ensaios, crítica literária — cujo título original não pôde ser identificado ainda:

  1. Na prisão, Edições do Povo, 1946, trad. Djalma Maciel.
  2. Como aprendi a escrever, Mercado Aberto, 1984 (reed. 1998), trad. Charles Kiefer
  3. Wania, Unitas, 1934, trad. anônima indireta.
  4. A mulher dos olhos azuis, pela Fomento de Publicações, ano desconhecido, coleção Mosaico: Pequena Antologia de Obras Primas, v. 36, Portugal.
  5. Em guarda! Aspectos da Rússia soviética, Adersen, 1934, trad. desconhecido
  6. Lenine, Minha Livraria, 1934, trad. desconhecido.
  7. Tormenta sobre a cidade, Vecchi, 1943, trad. J. da Cunha Borges.
  8. Psychologia do povo russo, Minha Livraria, 1936, trad. Elias Davidovitch
  9. Aos intelectuais. Carta aberta (em resposta a alguns escritores americanos), Alba, 1935, trad. desconhecido.
  10. Três russos: Tolstoi, Tchekov, Andreev, Pongetti, 1945, coleção Pensamento e Vida, trad. Lúcio do Nascimento Rangel.

Além disso, foram publicadas as seguintes COLETÂNEAS EXCLUSIVAS das obras de Górki, com os contos indicados:

Konovaloff, publicada pela editora Cultura, 1930, na coleção Bibliotheca dos Auctores Russos, trad. anônima (Georges Selzoff e F. Olandim), contendo:
  • Konovaloff
  • A feira
  • Kirilka
  • Uma vez, no outomno


Os vagabundos, publicado por:


a. Civilização Brasileira, 1936, Collecções Econômicas SIP, trad. desconhecido.
b. Pongetti, 1944, trad. Araújo Alves.
c. Edições de Ouro, 1965, trad. Araújo Alves. (Reed. por Ediouro, 1990).

Contendo:
  • Malva
  • Tchelkache
  • Konovalov


Os degenerados, publicada por:


a. Editorial Paulista, 1934, trad. desconhecida indireta.
b. Civilização Brasileira, 1936, trad. desconhecido.
c. Pongetti, 1943, trad. revista por Marques Rebelo.

Contendo:
  • Os Orlof
  • Os ex-homens
  • Os amigos


Contos da Estépe, Livro, 1944, trad. revista por Antônio de Oliveira, contendo[3]:


Impressões de um homem pacífico
  • Os três
  • O avô Arkhip e Lenka
  • O canto do falcão
  • Yemelian Pilaeie
  • O Khan e seu filho
  • Sasubrina
  • Makar Tchudra
  • Vinte seis e uma
  • A velha Iserguila


Flor da miséria e outras histórias, Edições do Povo, 1947, trad. anônimo. Não foi possível descobrir que contos ela contém.


A velha Izerguil e outros contos, Hedra, 2010, na coleção Hedra de Bolso, trad. direta de Lucas Simone, contendo:
  • A velha Izerguil
  • Makar Tchudrá
  • Tchelkach
  • Boles
  • Os compadres
As mesmas traduções foram incluídas na coletânea mista Os russos publicada pela editora Hedra em 2015.

Meu companheiro de estrada e outros contos, Editora 34, na Coleção Leste, trad. direta de Boris Schnaiderman. Não foi possível o conteúdo ainda. As mesmas traduções parecem já ter sido objeto de publicação pela editora Civilização Brasileira em 1961.

E as obras de Górki apareceram também nas seguintes COLETÂNEAS DE OBRAS RUSSAS[4]:

1. 3 novelas russas, Flama, 1944, trad. indireta de José de Barros Pinto. Contém o conto “O ruivo”.

2. Antologia do conto russo, v. 7, Lux, 1962, org. Otto Maria Carpeaux e Vera Newerowa[5]. Contém:

3. Clássicos do conto russo, org. Arlete Cavaliere, Editora 34, 2015, coleção Leste, tradução direta. Contém:


4. Contos russos, Editorial Inova (Portugal), 1973, Coleção Duas Horas de Leitura, v. 15, trad. Egito Gonçalves. Não foi possível descobrir quais contos de Górki o livro contém.

5. Contos russos, Ediouro, 1981, com organização e trad. indireta de Aurélio Buarque de Hollanda e Paulo Ronái e ilustrações de Mário de Murtas. Contém:


6. Contos russos eternos, org. Maria do Carmos Sepúlveda Campos, Bom Texto, 2004, trad. direta de José Augusto Carvalho. Contém o conto “Vinte e seis e uma”.

7. Maravilhas do conto russo, org. Diaulas Riedel e Edgard Cavalheiro, Cultrix, 1957, trad. anônima revista por T. Booker Washington, produzida aparentemente a partir do inglês e com ilustrações de D. Nasi. Contém o conto “Ruivo”.

8. Nova antologia do conto russo, org. Bruno Barretto Gomide, Editora 34, 2011, coleção Leste, trad. direta de Lucas Simone. Contém o conto “Vendetta”.

9. Obras-primas do conto russo, org. Homero Silva, Livraria Martins Editora, 1964, coleção Obras-primas do conto, trad. revista por Cabral do Nascimento. Contém o conto "Um incidente".

10. Os colossos do conto da velha e da nova Rússia, Mundo Latino, 1944, trad. indireta de Frederico dos Reys Coutinho. Contém o conto "Angústia".

11. Os mais belos contos russos dos mais famosos autores, 1ª série, Mundo Latino, 1945, trad. indireta de Marina Salles. Contém o conto "Um incidente".

12. Os mais belos contos russos dos mais famosos autores, 2ª série, Mundo Latino, 1945, trad. indireta de Líbero Rangel de Andrade. Contém o conto "O herói".

13. Primores do conto universal, org. Prof. Jacob Penteado, Sociedade Brasileira de Empreendimentos Editorial, coleção Contos russos, v. 2, trad. indireta anônima. Contém o conto "Caim e Artêmio".

14. Mestres do conto eslavo, Portugália Editora (Portugal), 1957, coleção Conto, v. XIX, trad. Cabral do Nascimento. Contém o conto "O Guarda".

15. Escritos de outubro: os intelectuais e a Revolução Russa, org. Bruno Barretto Gomide, Boitempo, 2017, trad. direta. Não foi possível apurar o(s) tradutor(es). Contém artigo(s) do jornal de Górki, "A vida nova”.

16. Publicados pela primeira vez pela editora Cultura em 1931, com tradução indireta, o contos “Vinte e seis e uma” (trad. Edison Carneiro), “Uma noite de outono” (trad. Emil Farhat) e “Kirilka” (trad. Murilo Miranda) foram incluídos, ainda, nas seguintes coletâneas:

a. Os russos: antigos e modernos, Leitura, 1944, coleção Contos do Mundo.
b. O livro de bolso dos contos russos, org. Rubem Braga, Edições de Ouro, 1963, coleção Leão de Ouro,
c. O livro de Ouro dos Contos Russos, org. Rubem Braga, Ediouro, 1981, coleção Contos do Mundo.
d. Contos russos, org. Rubem Braga, Ediouro, 2004, coleção Os Clássicos.

Por fim, é possível encontrar Górki nas seguintes COLETÂNEAS MISTAS:

1. O espírito do conto francês, alemão, ianque, inglês, russo, da editora Curiosidade, 1942, trad. Sonia Muniz. Contém a obra “Adversários”[6].

2. Livro de Natal – As mais lindas histórias de Natal dos maiores escritores do mundo, da editora Martins, 1947, trad. Luiz Macedo. Contém o conto “Sonho de uma noite de Natal”.



[1] “Infância”, “Ganhando meu pão” e “Minhas universidades” formam uma trilogia autobiográfica. A editora Cosac Naify publicou a trilogia em um box, além das versões vendidas separadamente.
[2] A tradutora de origem russa parece ter acessado a obra tardiamente, pois algumas versões da sinopse do livro contêm transliteração típica do francês.
[3] “Como ‘O avô Arkhip e Lenka’, ‘O canto do falcão’, ‘O Khan e seu filho’ e ‘Makar Tchudra’ tinham sido publicados em 1927 e 1928 no periódico ‘Primeira: a revista por excelência’, em tradução anônima (GOMIDE, 2004, 408), não excluo a hipótese de que essa antologia de Contos da estépe seja uma compilação de publicações anteriores”. (Bottmann, D. (2014). Bibliografia Russa Traduzida no Brasil (1900-1950). RUS (São Paulo)4(4), 58-87.).
[4] Uma coletânea chamada Contos russos, com tradução indireta de Cássio M. Fonseca, consta do catálogo da editora Pax para a década de 1930, mas não se sabe se foi publicada e que contos de Górki conteria.
[5] Essa coleção foi a primeira antologia de contos russos traduzidos todos da língua original publicada no Brasil.
[6] Possivelmente a mesma peça “Враги” publicada pela L&PM como “Os inimigos”, em outra tradução.

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